Tipos de diarreias mais frequentes

Por Ricardo Souza

Quais são os tipos de diarreia mais frequentes? Como elas são causadas?

Diarreia é definida como a passagem de três ou mais fezes líquidas ou malformadas (pastosas) por dia (ou passagem mais frequente do que o normal para um determinado indivíduo). Considera-se a existência de três tipos de diarreia: diarreia aquosa aguda (que dura várias horas ou vários dias), diarreia sanguinolenta aguda (também conhecida como disenteria) e diarreia persistente, que dura 14 ou mais dias.

A diarreia pode ter várias origens, sendo mais frequentes as de origem infecciosa, isto é, aquelas causadas por vários tipos de bactérias, vírus e parasitas. A diarreia causada por bactérias e parasitas pode ser comum quando se viaja a países em desenvolvimento, sendo frequentemente chamada de diarreia do viajante. Em geral, quando se visita um lugar onde o clima, as condições sociais ou as práticas sanitárias são diferentes das do local em que se vive, pode-se ter maior risco de desenvolver esse tipo de diarreia.

A maioria das pessoas que morre de diarreia, na verdade, morre de desidratação severa e perda de água e sais (sódio e potássio), elementos fundamentais para o funcionamento correto de nosso organismo. Crianças desnutridas ou com problemas de imunidade são as mais vulneráveis, podendo até morrer por diarreia, sendo que cada episódio da doença piora o estado de desnutrição.

Outras causas de diarreia compreendem o consumo de alguns medicamentos, como, por exemplo, alguns antibióticos que são usados de modo prolongado. Nesse caso, bactérias residentes nos intestinos são mortas pelo antibiótico, mas algumas bactérias patogênicas não são destruídas (são resistentes) e conseguem se proliferar em abundância, levando assim aos sintomas de diarreia. Na maioria das vezes, diarreia associada a antibióticos é suave e desaparece logo após a interrupção do antibiótico, mas, em alguns casos, esse tipo de diarreia leva à colite (uma inflamação do cólon) ou a uma forma mais grave da colite chamada colite pseudomembranosa. Intolerância à ingestão de alguns tipos de açúcar, como lactose e frutose, também pode levar à diarreia, devido à dificuldade de alguns indivíduos em digerir esses açúcares. Intolerância ao sorbitol, adoçante obtido a partir da glicose, também pode ser causa de diarreia.

 

Quais são as principais condições para que uma pessoa tenha diarreia?

Diarreia é geralmente adquirida pela ingestão de águas ou alimentos contaminados com fezes humanas e de animais, ou pelo contato direto com uma pessoa doente, principalmente aquelas pessoas que têm hábitos de higiene pessoal inadequados. Águas contaminadas podem, ainda, contaminar alimentos durante a irrigação. Muitos alimentos constituem fonte importante de agentes de diarreia, quando preparados em más condições de higiene ou armazenados em temperatura ambiente, que favorece a proliferação de micro-organismos. O consumo de peixes e frutos do mar de águas poluídas pode também contribuir para a transmissão de alguns agentes de diarreia.

 

Quais são as formas de tratamento?

Os sintomas da maioria dos casos de diarreia desaparecem em alguns dias, mesmo sem tratamento, mas a diarreia pode causar uma perda de quantidades significativas de água e sais minerais, como sódio e potássio, necessários para o bom funcionamento do organismo. Portanto, um médico deve ser consultado se a diarreia persistir, se houver sinais de desidratação ou a presença de sangue nas fezes. Nos casos em que se prolonga, a diarreia pode ser um sinal de uma doença grave, como a doença inflamatória do intestino, ou de uma condição menos grave, como a síndrome do intestino irritável.

As medidas principais de tratamento de diarreia incluem a reidratação oral (ingestão de uma solução de água limpa, açúcar e sal, conhecida como soro caseiro) ou intravenosa, para os casos de desidratação severa ou choque.

Em situações específicas, identificadas por um médico, os antibióticos podem ajudar a tratar a diarreia causada por bactérias, porém, como não atuam sobre vírus, as diarreias causadas por esses agentes podem exigir medicação específica.

Durante um episódio de diarreia, deve-se manter a ingestão de alimentos ricos em nutrientes, incluindo leite materno nos primeiros seis meses de vida. Não se deve deixar de comer, pois isso pode agravar a desidratação e privar o organismo de nutrientes necessários para a recuperação do paciente. Alimentos com fibras e resíduos, muito temperados e com muita gordura, bem como bebidas alcoólicas, devem ser evitados.

 

Como uma pessoa pode evitar ter diarreia?

Para evitar a diarreia, deve-se ingerir água potável (tratada ou fervida) e alimentos preparados e armazenados em condições de higiene adequadas. Alimentos devem ser servidos logo após o preparo ou mantidos em geladeira depois de cozidos ou reaquecidos, pois a manutenção de alimentos em temperatura ambiente, mesmo após seu cozimento, pode incentivar o crescimento de bactérias patogênicas. Da mesma forma, alimentos congelados não devem ser descongelados em temperatura ambiente. As mãos e as superfícies usadas para o preparo de alimentos devem ser lavadas com frequência para evitar a propagação de germes de um alimento para outro.

A lavagem das mãos deve ser feita várias vezes por dia, especialmente antes das refeições e ainda depois de preparar os alimentos, manipular carne crua, usar o banheiro, trocar fraldas, espirrar, tossir e assoar o nariz. Se a lavagem de mãos não for possível, deve-se usar um desinfetante para as mãos à base de álcool, aplicando-o de modo a cobrir completamente a frente e as costas das duas mãos.

Saneamento ambiental, amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida e higiene pessoal adequada constituem outras medidas preventivas importantes.

 

Dra. Tania Aparecida Tardelli Gomes do Amaral possui doutorado e mestrado em Microbiologia e Imunologia, e graduação em Ciências Biológicas Modalidade Médica pela Universidade Federal de São Paulo. Atualmente é professora associada da USP.